
Foto arte com trânsito registrado em São Paulo, em 1972, em um dia de chuva.
“Eu quero que os pobres também tenham carros … nem se for para quando chegar no sábado, colocar o carro na porta de casa e ficar com a família inteira lavando a calota e passando a mão no carro”.
O presidente Lula arrancou aplausos e risadas com este discurso, ao comentar o recorde de produção da indústria automobilística, segunda-feira passada (8), durante evento no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí.
Ele pede aos prefeitos e governadores para construir mais ruas: “nós temos que fazer metrô, temos que fazer o trem, mas temos que parar com essa ilusão de que fazendo metrô vai tirar o apetite de um pobre ter um carro”.
Embora eu concorde em número, gênero e grau com o Lula, não podemos ser românticos com a situação. Ilusão maior seria não ver que o metrô é a solução mais apropriada para os grandes centros.
Em São Paulo, o carro chega a ser uma catástrofe urbana.
São 6 milhões de veículos, sempre com projeção crescente da frota. A capital já pensa, inclusive, num pedágio urbano, de cerca de R$ 4 por carro.
Analistas acreditam que dinheiro arrecadado com esta ideia seria suficiente para criar, em 10 anos, 160 km de linhas de metrô a mais que o já existente.
O projeto, que já tem adesão de muitos projetistas e lideranças políticas, está sendo visto como a única forma possível para desestimular o automóvel e gerar mais dinheiro para uma implantação acelerada do metrô no maior centro econômico do País.
E em Curitiba, ainda tem gente que discute a necessidade e eficácia deste modelo de transporte. Sendo que a pergunta é: o que queremos para nossa cidade, o carro, o metrô, o pedágio urbano ou o caos dos engarrafamentos?


